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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

PROCRIAÇÃO


PROCRIAÇÃO


Quero-te na tua mais livre
profundidade
Palmilhando as minhas mais insensatas
superfícies
Como se eu fosse um prato raso
Com o ventre repleto de desejos tenros.

Quero-te na tua mais fraterna
lógica
Defendendo as minhas mais insensíveis
demências
Como se eu fosse uma rua estreita
Com o ventre repleto de paralelepípedos turvos.

Quero-te na tua mais igual
exatidão
Inventariando as minhas mais insanas
incoerências
Como se eu fosse um ponto cego
Com o ventre repleto de brotos ternos.

Quero-te, sobretudo, na tua mais pródiga
fecundidade
Alimentando as minhas mais inservíveis
esterilidades
Como se eu fosse tua filha bastarda
Com o ventre repleto de promessas toscas.


Oswaldo Antônio Begiato

CARINHO


CARINHO


Esse amor que me ata fortemente a ti
Com grilhão de vínculos inoxidáveis,
Desestrutura minhas quietações
E cria em mim esta saudade que não morre
Que vai me matando aos poucos,
E se fazendo cada vez mais árdua,
Diante de uma distância que se alonginqua
Quando a voz desaparece no gargalo da garganta
E a imagem se faz pálida nas reticências do olhar.

Fico impotente diante dessas longitudes artificiais:
- Não consigo voar com a velocidade da luz!

E assim vou vivendo uma espera doída
Dentro de uma esfera doida,
A minha vida,
Onde só sinto apartamentos.

Porque, mais do que os carinhos que certamente me farias,
Sinto falta dos carinhos que preciso te fazer,
Incondicionalmente.


Oswaldo Antônio Begiato

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

TERNURA


TERNURA

Com as estrelas que deixei cair
de minhas asas de borboleta-transparente,
pedi à minha fada-madrinha
que bordasse, com linhas do infinito,
uma noite somente para meu amor.

E com as flores que deixei cair
De minhas folhas de violeta amadurecida,

Que bordasse, com linhas de eternidade,
Um céu branco e lilás para ser o dia da noite do meu amor.

Oswaldo Antônio Begiato

SINGULAR


SINGULAR

Dou-te uma rosa,
Primeira,
Com o espinho consagrando
O sangue
Que de minha mão roubou.

Dou-te meu amor,
Primeiro,
Com a saudade estrangulando
O ângulo
Que de tua alma roubei.

Oswaldo Antônio Begiato

Acredito que...

“... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.
Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

Excerto de 'De noite'
- Miguel Sousa Tavares
em “Não te deixarei morrer David Crockett"